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Saudade

A palavra “saudade” é um exemplo da complexidade da língua portuguesa. Existe, em todas as línguas, um equivalente para essa palavra: “sinto sua falta”. Os brasileiros, porém, sabem que sentir falta não é o mesmo que sentir saudade. Dessa forma, é um privilégio haver em nossa língua tão bela palavra, que nos permite materializar tão sublime sentimento.
O objeto da saudade pode ser uma pessoa, um local, ou mesmo idéias e acontecimentos. Sentimos saudades dos amigos, dos parentes, da pessoa amada, de casa, do cachorro, do dia da formatura. Mais do que sentir falta, saudade expressa um sentimento de perda e de satisfação. É uma dualidade, embora difícil de se definir: lamenta-se o que está longe e, ao mesmo tempo, se agradece nostalgicamente por ter estado perto.
Não há como definir a saudade sem apelar à poesia e à emoção. Afinal, saudade é sentimento, e não se pode definir com exatidão e palavras concretas a sua essência. Os poetas brasileiros sempre souberam expressar muito bem a saudade.
Gonçalves Dias cantou a saudade da pátria ao escrever, no século XIX, o poema Canção do Exílio, quando estava na Europa: “Minha terra tem palmeiras, / onde canta o sabiá; / as aves que aqui gorjeiam, / Não gorjeiam como lá”.
Casimiro de Abreu, quando teve saudades do Brasil, escreveu um poema também chamado Canção do Exílio: “O país estrangeiro mais belezas / Do que a pátria não tem / [...] Dá que eu veja uma vez o céu da pátria, / O céu do meu Brasil!”.
Ao recordar a infância em Meus Oito Anos, Casimiro versejou: “Oh! Que saudades que tenho / Da aurora da minha vida, / Da minha infância querida / Que os anos não trazem mais!”.
Cecília Meireles compôs primorosos versos em Murmúrio: “Traze-me um pouco da tua lembrança, / aroma perdido, saudade da flor! / – Vê que nem te digo – esperança! / – Vê que nem sequer sonho – amor!”.
30 de janeiro – Dia da Saudade
Companheiros de viagem
(Roberto Shinyashiki)

As vezes, imagino a vida como uma viagem de trem, feita com companheiros que a compartilham em determinados trechos.
Quando nasci, entrei no trem em que estavam meus pais;
eles já conheciam algumas coisas sobre a viagem e sobre o trem.
Certamente parte de seus conhecimentos correspondia à verdade e outra parte não passava de ilusões.
No meio da minha viagem nasceram meus filhos.
A esta altura eu também já conhecia algumas coisas a respeito da viagem e do trem; igualmente, parte era verdadeira e parte não.
Há pouco tempo meu pai deixou o trem e, com sua partida, a dor mudou a maneira de fazermos a viagem. Mas o trem continuou…
Quando juntos, cada um dos companheiros de viagem faz suas descobertas e procura passá-las para os outros, sabendo que a riqueza da luz se amplia quando é compartilhada.
Pais e filhos, somente companheiros.
Nem guias, nem professores, muito menos proprietários…
Pais e filhos, o maior e mais belo encontro da vida, cúmplices no aprender a desvendar os mistérios de cada um.
Amigos nas transformações, pois este é um dos grandes segredos da vida: quase tudo é provisório!
O que hoje nos sacia, amanhã pode não mais faze-lo.
De definitivo, somente os filhos e, por consequência, os pais: definitivo e eterno amor.
No meio das ondas do ato de se viver e dos percursos das nuvens em se buscar definitivos e eternos, simplesmente Companheiros de Viagem!
Um abraço diz muitas coisas
Abraços são dados de muitas formas e com diferentes significados.
Tem abraços que dizem:
“Fico muito contente com a sua amizade…”
Existem abraços que expressam o orgulho que se sente por alguém especial!…
Também há abraços que dizem:
“Não existe ninguém no mundo igual a você…”
Há abraços doces e ternos que são dados em momentos de tristeza…
Com um abraço também podemos dizer:
“Sinto muito”, quando alguém está passando por um momento difícil…
Há abraços que damos, para dizer:
“Que bom que você veio”, e outros que dizem:
“Sentirei sua falta quando você estiver longe de mim…”
E não faltam esses abraços perfeitos para fazer as pazes…
E os abraços cheios de carinho, que nascem do coração…
Como você vê, existem abraços para diferentes ocasiões;
abraços rápidos e abraços demorados, um para cada razão…
Porém, de todos os abraços, o mais carinhoso é aquele que diz:
“Você está sempre no meu pensamento porque eu te quero muito!”
(E sempre será assim!)
Que tenhamos uma linda semana, com o meu abraço especial!!!
(Fonte)
Pessoas são músicas
(José Oliva)

Elas entram na vida da gente e deixam sinais.
Como a sonoridade do vento ao final da tarde.
Como os ataques de guitarras e metais presentes em cada clarão da manhã.
Olhe a pessoa que está ao seu lado e você vai descobrir, olhando fundo, que há uma melodia brilhando no disco do olhar.
Procure escutar.
Pessoas foram compostas para serem ouvidas, sentidas, compreendidas, interpretadas.
Para tocarem nossas vidas com a mesma força do instante em que foram criadas, para tocarem suas próprias vidas com toda essa magia de serem músicas.
E de poderem alçar todos os vôos, de poderem vibrar com todas as notas, de poderem cumprir, afinal, todo o sentido que a elas foi dado pelo Compositor.
Pessoas são músicas como você.
Está ouvindo?
Pessoas têm que fazer sucesso.
Mesmo que não estejam nas paradas.
Mesmo que não toquem no rádio, apenas no coração.
A parte mais importante do corpo

Quando eu era muito jovem, minha mãe me perguntou qual era a parte mais importante do corpo.
Eu achava que o som era muito importante para nós, seres humanos, então eu disse:
- Minhas orelhas, mãe.
- Não, disse ela.
Muitas pessoas são surdas…
Mas continue pensando sobre este assunto.
Algum tempo se passou até que minha mãe perguntou outra vez.
Eu havia pensado bastante e imaginava ter encontrado a resposta correta. Assim, desta vez eu lhe disse:
- Mãe, a visão é muito importante para todos, então devem ser nossos olhos.
Ela me olhou e disse:
- Estás aprendendo rápido, mas a resposta ainda não está correta, porque há muitas pessoas que são cegas…
Eu havia errado outra vez.
Continuei a minha busca por conhecimento ao longo do tempo.
Minha mãe voltou ao assunto várias vezes, mas a cada resposta minha, ela respondia:
- Não… Mas estás ficando mais esperta a cada ano.
Então, um dia, o meu avô morreu.
Todos estavam tristes. Todos choravam.
Até mesmo meu pai, que eu nunca havia visto chorar.
Minha mãe olhou para mim quando fui dar o meu adeus ao meu avô, e me perguntou:
-Já sabes qual a parte do corpo mais importante?
Fiquei um tanto chocada por ela me fazer a pergunta justamente naquele momento.
Sempre achei que era apenas um jogo entre nós duas.
- Hoje é o dia em que necessitas aprender esta importante lição, disse ela.
Ela me olhou de um jeito que só uma mãe pode fazer e falou:
- Minha querida, a parte do corpo mais importante são teus ombros.
Intrigada, perguntei:
- Porque eles sustentam minha cabeça?
– Não, respondeu ela, é porque podem apoiar a cabeça de um amigo ou de alguém amado quando eles choram.
Todos precisam de um ombro para chorar em algum momento de sua vida.
Naquela ocasião eu descobri qual a parte do corpo mais importante.
Descobri, também, a importância de ser “simpático” à dor dos outros.
Porque, naquela hora, quem precisou de um ombro fui eu.
- Espero que tenham bastante amor e amigos, e que seus ombros estejam sempre à disposição quando alguém precisar, disse minha mãe.
Sempre que recordo este fato, lembro da seguinte citação:
“As pessoas esquecerão do que você disse…esquecerão do que você fez…mas as pessoas nunca esquecerão do que você as fez sentir.”
“Os bons amigos são como estrelas…nem sempre as vemos, mas sabemos que sempre estão lá.”
Com essa pequena mensagem podemos perceber a importância da amizade, do amor. Afinal, precisar de um ombro amigo é com certeza fundamental em nossa vida. Quem nunca precisou desabafar ou até mesmo dividir algo bom e lá estava aquele ombro amigo para lhe atender. Que possamos sempre fazer esse gesto tão benéfico para as pessoas tanto nos momentos bons quanto nos mais difíceis onde se precisa mais.
